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Fonte Nova Condenada e Depoimentos de Torcedores

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Fonte Nova Condenada e Depoimentos de Torcedores


Com o objetivo de contribuir com o Brasil em seu esforço para organizar de forma eficiente a Copa do Mundo de Futebol de 2014, o SINAENCO – Sindicato da Arquitetura e da Engenharia desenvolveu um "Estudo sobre o Estado de Manutenção e Condição dos Estádios Brasileiros" (veja o relatório sobre os Estádios da Bahia)

http://www.copa2014.org.br/

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL191888-5598,00.html

O levantamento apresenta o estado atual de 29 estádios de 18 cidades brasileiras, mostrando a condição de diversos itens, como gramado, segurança, acessibilidade, arquibancada, sanitário, vestiário e estacionamento, dentre outros. O trabalho, desenvolvido por uma comissão de arquitetos e engenheiros, busca servir de alerta às autoridades e à sociedade sobre a necessidade de manutenção e reforma desses importantes equipamentos.

Sobre a Fonte Nova, a legenda de algumas fotos constantes do  relatório deixa a situação bem clara:

"Essa imagem resume o estádio. Estado lastimável, nenhum conforto e segurança para os usuários"

"Estruturas com vigas e pilares comprometidas"

"Arquibancadas em ruínas".


Mais notícias:

O Corpo de Bombeiros de Salvador (BA) identificou seis dos sete mortos confirmados até agora na tragédia ocorrida na tarde deste domingo (25), no Estádio da Fonte Nova. Das vítimas fatais, quatro são homens e três, mulheres (uma ainda não identificada).

Foram identificados:
Márcia Santos Cruz, 27 anos
Milene Vasques Palmeira, 27
Jadson Celestino Araújo Silva, 25
Djalma Lima Santos (sem idade)
Anísio Marques Neto (sem idade)
Joselito Lima Júnior (sem idade)

Os peritos ainda tentam identificar o corpo de uma mulher que, segundo os bombeiros, aparenta ter entre 25 e 28 anos, a sétima vítima do acidente.

Dos identificados até agora, Joselito foi o único que foi levado para atendimento médico com vida. Ele morreu no Hospital Geral do Estado (HGE), pouco depois da tragédia.

RISCO DE DESABAMENTO

A área onde está localizado o buraco na arquibancada do anel superior da Fonte Nova está isolada. O Corpo de Bombeiros não descarta a possibilidade de novos desabamentos.

Na hora do acidente, os bombeiros estimaram que 500 torcedores estavam eufóricos e pulavam naquele setor do estádio.

O capitão Fernandes, coordenador da Central de Telecomunicações do Corpo de Bombeiros local, informou que as vítimas caíram de grande altura - cerca de 15 metros - e ficaram gravemente feridas, algumas com afundamento no crânio.


DEPOIMENTOS

O acesso do Bahia para a Série B do Brasileirão nunca poderá ser lembrado como um momento de festa. Os torcedores que estiveram presentes no estádio Fonte Nova presenciaram momentos de pânico, correria e desespero. A queda de parte da arquibancada provocou a morte de pelo menos sete pessoas. Um tragédia que manchará para sempre uma conquista tão importante na história do clube.

O torcedor Paulo Barreto, de 16 anos, presenciou cenas traumatizantes. Enquanto acompanhava o encerramento da partida, ouviu uma gritaria generalizada e pessoas descendo as arquibancadas desesperadamente.

"Eu estava na Fonte Nova com meus amigos (dois degraus abaixo do degrau que cedeu). De repente, me empurraram. Até falei: 'Cuidado comigo aqui'. Mas não sabia o que tinha acontecido. Comecei a ver uma galera correndo para descer o degrau o mais rápido possivel e gritando 'vai desabar'. Fui ver o que tinha acontecido, aí quando eu olhei pelo buraco, vi mais de cinco corpos no chão sangrando, tinha um homem até se mexendo, todo ferido e a cabeça sangrando".


O tricolor Gilsomar Junior, de 16 anos, estava a apenas dois metros do buraco e afirma que a festa nunca mais será a mesma.

"Eu estava na mesma escada que desabou, um pouco mais do lado esquerdo. Foi horrível! Na hora, a torcida não entendeu muito o que aconteceu. Quando viram o buraco, muitos ficaram assustados. Cheguei a entrar em choque imaginando que poderia ser algum conhecido meu. A festa jamais será a mesma".


O estudante Fernando César, também de 16 anos, afirma que muitos torcedores acreditaram que outras partes do estádio viriam abaixo. "Eu estava perto do local e na hora em que a arquibancada caiu, todo mundo começou a correr achando que o estádio todo estava desmoronando. Foi muito desesperador. Logo a polícia interditou o local, mas estava todo mundo desesperado. Muita gente invadiu o campo para comemorar, só que muitos torcedores invadiram também para fugir do perigo e porque no gramado tinha médicos do Bahia dando assistência. A culpa é da Sudesb, que recebe muito com renda dos jogos do Bahia e não investe no estádio. Sou contra a demolição, mas alguma coisa tem que ser feita em termos de estrutura. Os banheiros estão todos depredados e o alambrado com oxidação. A Fonte Nova não é bem cuidada".


Daniel de Jesus Alencar Sacramento, de 27 anos, temeu por sua vida e pelo desespero de seus familiares. Ao contrário de Fernando César, Alencar defende a demolição da Fonte Nova.

"Fui à Fonte Nova com meu primos e decidimos ficar no local onde a torcida Bamor se localiza no estadio, por se tratar da mais animada. Por volta dos 35 a 37 minutos, a torcida começou a pular e gritar: 'estamos na Série B'. Ouvi um barulho, olhei para trás e dois degraus acima havia um buraco. Vi pessoas chorando e gritando: 'vai desabar". Comecei a descer os degraus o mais rápido possível. Na hora, só pensava na minha familia e que tudo iria cair. Nem comemorei, pois estou em choque até agora. Poderia ser eu ou qualquer um ao meu lado. Um pena que acabou assim. As autoridades têm que tomar providências. Na minha opinião, demolir a Fonte Nova e construir um estádio na Paralela (Avenida de Salvador), com um estacionamento grande e com segurança para nos torcedores".


Denicio Cerqueira, de 15 anos, só começou a entender o que estava acontecendo quando a polícia subiu as arquibancadas. Ele viu de perto os corpos das vítimas.
"Eu estava lá na Bamor, bem na hora em que aconteceu. Perto do fim do jogo, ouvi um barulho igual a uma bomba. Muitos policiais vieram correndo e pedindo para o pessoal se retirar da área. Foi nessa hora que eu vi um buracão. Quando saí do estádio vi muitas ambulâncias e policiais. Fui em uma ladeira, perto da escola da Fonte Nova. Estavam lá os seis corpos no chão. Três homens e três mulheres. Quando todos souberam, pediram para acabar com a festa dos trios elétricos".

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